Laboratório de Análises Clínicas — do cadastro do exame ao laudo

O módulo Laboratório atende laboratório de análises clínicas e posto de coleta. Ele cobre o caminho inteiro da amostra: o exame cadastrado com o tubo e a bancada certos, a requisição do paciente, a coleta com etiqueta de código de barras, a triagem que aceita ou recusa o material, a bancada onde o resultado é digitado, a conferência do Responsável Técnico e o laudo entregue ao paciente. O módulo fica em Seu setor → Laboratório.

O paciente do laboratório é o mesmo cadastro de cliente do resto do sistema. Isso quer dizer que o exame já nasce cobrável: vira título no Financeiro e nota de serviço sem ninguém digitar o mesmo CPF duas vezes.

A ordem certa de configurar

A ordem abaixo não é sugestão: cada passo depende do anterior. O exame aponta para uma bancada e para um recipiente, então os dois precisam existir antes dele.

  1. Abra Seu setor → Laboratório e comece pela aba Bancadas. Cadastre os setores técnicos do laboratório — os mais comuns são Bioquímica, Hematologia, Microbiologia, Imunologia, Urinálise, Parasitologia e Hormônios. A bancada é o que o Controle de Qualidade trava: controle reprovado na bioquímica não segura o laudo da parasitologia.
  2. Vá à aba Recipientes e cadastre os tubos que o laboratório usa, informando o nome, a cor da tampa, o aditivo, o volume e — o campo mais importante — a ordem de coleta.
  3. Na aba Apoio, cadastre os laboratórios para onde você manda os exames que a casa não faz, com o prazo e o custo de cada um.
  4. Vá à aba Configurações e preencha o Responsável Técnico: nome, conselho (CRBM, CRF, CRM ou CRBio), número do registro e UF. É esse nome que assina todos os laudos.
  5. Por fim, na aba Exames, cadastre o que o laboratório oferece.

A ordem de coleta merece atenção de verdade. O resíduo de aditivo que fica na agulha contamina o tubo seguinte: puxar o tubo roxo (EDTA) antes do amarelo (soro) derruba o cálcio do paciente e sobe o potássio. O sistema monta a etiqueta na ordem que você cadastrar aqui, então cadastre a ordem correta uma vez e ninguém precisa lembrar dela de novo. A sequência usual é: hemocultura, citrato (azul), soro com gel (amarelo), heparina (verde), EDTA (roxo) e fluoreto (cinza).

Cadastrar um exame

  1. Na aba Exames, clique em Novo exame.
  2. Informe o código e o nome. No campo Sinônimos, escreva como o médico e o paciente chamam esse exame — por exemplo, TGO para a transaminase oxalacética. É por esse campo que a recepção acha o exame na hora do pedido.
  3. Escolha a bancada e o recipiente. São eles que colocam o exame no mapa de trabalho certo e no tubo certo.
  4. Informe o material (soro, plasma, urina, fezes, swab), o método e o volume de amostra que o exame consome. O volume é o que decide se dois exames cabem no mesmo tubo ou se é preciso puxar um segundo.
  5. Informe o prazo de entrega em horas. Deixando vazio, o exame usa o prazo padrão das Configurações.
  6. Escreva o Preparo do paciente — jejum, suspensão de medicamento, primeira urina da manhã. Esse texto sai impresso no comprovante que o paciente leva para casa.
  7. Informe o preço particular e, se o exame for terceirizado, escolha o laboratório de apoio e o custo dele.
  8. Clique em Salvar.

Os campos do exame

Quase nenhum exame é um número só: um hemograma tem dezenas de linhas. Cada uma delas é um campo, e é no campo que o resultado é digitado.

  1. Na lista de exames, clique em Campos, na linha do exame.
  2. Clique em Novo campo e informe o nome (por exemplo, Hemoglobina) e a unidade (g/dL).
  3. Escolha o tipo. Número serve para o que é medido; Texto livre, para descrição; Lista de opções, para resultado qualitativo (Reagente, Não reagente); e Título, para uma linha que é só cabeçalho no laudo, sem valor a preencher.
  4. Informe as casas decimais e a ordem em que o campo aparece no laudo.
  5. Salve e repita para cada linha do exame.

Os valores de referência

A faixa de referência é o que faz o laudo ser lido em segundos: é ela que coloca a seta de alto ou baixo ao lado do resultado. Cada campo numérico pode ter várias faixas, porque o valor normal muda conforme o paciente.

  1. Dentro da tela de campos, clique em Referências, na linha do campo.
  2. Clique em Nova faixa e escolha a quem ela se aplica: o sexo, a faixa de idade e se vale para gestante.
  3. Informe o valor mínimo e o valor máximo normais.
  4. Informe o crítico mínimo e o crítico máximo, quando o exame tiver valor de pânico.
  5. Salve. Repita para cada grupo de paciente que tiver valor normal diferente.

A idade é informada em DIAS, e não em anos, porque a faixa do recém-nascido muda em semanas: um bebê de vinte dias não pode cair na faixa do adulto. Para converter, um ano tem 365 dias e dezoito anos têm 6.570.

  • Quando mais de uma faixa serve ao mesmo paciente, o sistema usa a MAIS ESPECÍFICA: a faixa de gestante vence a faixa comum, e a faixa de um sexo vence a que serve a ambos.
  • Valor de pânico é diferente de valor alto. Ele obriga o laboratório a telefonar para o médico solicitante, e por isso aparece destacado em vermelho, e não como mais uma seta no meio das outras.
  • Campo numérico sem nenhuma faixa cadastrada sai no laudo SEM marcação — nunca como normal. Marcar como normal um valor cuja faixa ninguém cadastrou seria afirmar saúde sem base. O painel do módulo mostra quantos campos estão nessa situação, para o laboratório saber o tamanho do que falta cadastrar.

Preço por convênio

Além do preço particular, cada exame pode ter um valor por operadora, com o código que aquela operadora usa para identificá-lo. O convênio é o mesmo cadastro usado pelo módulo Clínica: quem já atende convênio não recadastra nada.

Atender o paciente: abrir a requisição

A requisição é o pedido do paciente. Ela recebe um número — o protocolo — que acompanha tudo dali em diante: os tubos, os resultados e o laudo. É esse número que o paciente usa para consultar o resultado depois.

  1. Abra Seu setor → Laboratório, aba Requisições, e clique em Nova requisição.
  2. Escolha o paciente. Se ele ainda não tiver cadastro, cadastre-o antes — o paciente do laboratório é o mesmo cliente do resto do sistema, então o exame já nasce cobrável.
  3. Escolha o convênio, quando houver. Sem convênio, o atendimento é particular e o preço usado é o preço particular de cada exame.
  4. Informe o médico solicitante com o conselho, o número e a UF. Esses dados saem impressos no laudo.
  5. Marque Urgente quando for o caso: a requisição passa à frente na fila da triagem e da bancada.
  6. Escolha os exames na lista, clicando em cada um. O total aparece no rodapé conforme você marca.
  7. Clique em Abrir requisição.

Ao salvar, o sistema faz dois trabalhos sozinho: gera o protocolo e monta os tubos. Ele agrupa no mesmo frasco todos os exames que usam aquele recipiente e coloca os tubos na ordem correta de coleta. O aviso na tela diz quantos tubos serão necessários — é o número que o atendente informa ao paciente antes de ele ir para a sala de coleta.

Coleta e triagem da amostra

A aba Coleta e triagem é a fila do material. Todo tubo aberto por uma requisição aparece nela, com o código de barras que vai na etiqueta, o paciente e o tipo de frasco. As requisições urgentes vêm no topo.

  1. Ao tirar o material do paciente, encontre o tubo na fila e clique em Registrar coleta. É neste momento que o relógio do prazo começa a contar — e não quando o pedido foi feito, porque antes disso não havia material nenhum.
  2. Quando o tubo chegar à bancada, clique em Receber. Os exames daquele frasco passam para análise e aparecem no mapa de trabalho do setor.
  3. Se o material não servir, clique em Rejeitar e escolha o motivo.
  • Rejeitar é melhor que seguir em frente. Amostra hemolisada, com coágulo, com volume insuficiente ou com identificação divergente vira resultado errado — e resultado errado vira decisão médica errada.
  • O motivo é obrigatório. É ele que mostra, no fim do mês, se a recoleta vem de hemólise, de volume ou de identificação, e onde a equipe precisa de treino.
  • Quase todo motivo abre automaticamente um tubo novo para a recoleta, já ligado ao original. Isso preserva a contagem de quantas vezes o paciente precisou voltar, que é o indicador de qualidade da coleta.
  • A única exceção é Pedido cancelado: não houve problema com o material, o pedido é que deixou de existir. Nesse caso ninguém é chamado de volta.
  • Uma amostra rejeitada nunca é aproveitada depois. Aceitar um tubo com identificação divergente é entregar o resultado de uma pessoa no laudo de outra.

A bancada: onde o resultado é digitado

A aba Bancada é o mapa de trabalho do laboratório. No alto ficam os cartões de cada setor técnico, mostrando quantos exames estão na fila, quantos já passaram do prazo e quantos são urgentes. Clique num cartão para filtrar a lista por aquela bancada. Um exame só aparece aqui depois que a amostra dele foi recebida na triagem — antes disso não há material para analisar.

  1. Encontre o exame na lista e clique em Digitar.
  2. Preencha o resultado de cada campo. Campo numérico aceita vírgula ou ponto; campo de lista abre as opções cadastradas; campo de título é apenas cabeçalho do laudo e não recebe valor.
  3. Se a paciente estiver gestante, ligue a chave correspondente: o sistema passa a usar a faixa de referência própria da gestação, que é diferente.
  4. Escreva a observação técnica, quando houver. Ela sai impressa no laudo, abaixo dos valores.
  5. Clique em Salvar para guardar sem finalizar, ou em Salvar e conferir quando o resultado estiver pronto para ser revisado.

Ao salvar, o sistema compara cada valor com a faixa de referência do paciente — considerando sexo, idade na data da coleta e gestação — e marca sozinho o que está alto, baixo ou crítico. A marcação fica GRAVADA junto com o texto da faixa usada. É por isso que um laudo reimpresso daqui a dois anos continua mostrando a referência que valia no dia, e não a que o laboratório passou a usar depois.

Valor crítico: o telefonema obrigatório

Valor crítico é o valor de pânico — aquele que indica risco imediato à vida do paciente. Ele não é só um resultado alto: obriga o laboratório a avisar o médico solicitante, e a comunicação precisa ficar registrada.

  1. Ao gravar um resultado com valor crítico, o sistema avisa na hora, em vermelho, dizendo em qual campo.
  2. No alto da aba Bancada aparece o painel de críticos aguardando comunicação, com o paciente, o valor e o médico solicitante.
  3. Telefone para o médico e clique em Registrar aviso.
  4. Informe o nome de quem atendeu a ligação. O sistema grava o nome, a hora e quem do laboratório avisou.

O nome de quem atendeu é obrigatório de propósito. Sem ele o registro não prova nada — e é justamente essa prova que mostra, se um dia for questionado, que o laboratório cumpriu o dever de comunicar.

Conferência antes de liberar

Conferir é o segundo par de olhos sobre o resultado digitado. Nas Configurações existe a chave Exigir dupla checagem: com ela ligada, quem digitou não pode conferir o próprio trabalho — a revisão precisa ser de outra pessoa.

  • A chave nasce desligada, porque laboratório pequeno tem uma pessoa só, e travar impediria o trabalho de quem não tem a quem pedir revisão.
  • Se o resultado for redigitado depois de conferido, a conferência cai automaticamente. Quem revisou aprovou outro valor, e manter a assinatura dele seria atribuir-lhe algo que não viu.
  • Resultado já liberado não se edita. A correção gera uma nova versão do laudo, e a anterior continua existindo — um laudo entregue orientou uma conduta médica, e apagar o rastro dela seria apagar a história de uma decisão.

Liberar o laudo

Liberar é o ato que transforma resultados conferidos em documento entregue. A partir dele o paciente consegue ver o laudo, e o laboratório passa a responder pelo que está escrito.

  1. Abra Seu setor → Laboratório, aba Requisições, e clique em Liberar laudo na linha do paciente.
  2. Se todos os exames estiverem conferidos, o laudo sai na hora e o sistema mostra o código de autenticação.
  3. Se algum exame ainda não passou pela conferência, o sistema avisa quantos faltam e oferece liberar um laudo PARCIAL — com o que já está pronto.
  • O laudo parcial é rotina, e não exceção: uma cultura demora três dias enquanto o resto sai no mesmo dia. Ele sai marcado como parcial, e o paciente é avisado disso na tela.
  • Antes de liberar qualquer laudo é preciso ter preenchido o Responsável Técnico nas Configurações. É o nome dele que assina — laudo sem assinatura é papel sem valor.
  • A assinatura fica congelada no laudo. Se o Responsável Técnico mudar amanhã, o laudo de ontem continua mostrando quem realmente respondeu por ele.
  • Requisição que já tem laudo só aceita uma nova liberação informando o MOTIVO DA RETIFICAÇÃO. A versão anterior não é apagada: ela continua existindo, marcada como substituída, porque um laudo entregue orientou uma conduta médica.

O portal do paciente

Ligando o portal nas Configurações, o paciente consulta o próprio resultado pela internet, sem criar conta e sem senha, em gamaerp.com.br/resultado. Ele informa duas coisas: o protocolo, que está no comprovante da coleta, e a própria data de nascimento. É o recurso que tira do balcão a ligação de "meu exame já ficou pronto?".

O portal nasce desligado, e ligar é decisão sua. Resultado de exame é dado sensível pela lei de proteção de dados: enquanto o portal estiver desligado, nada do laboratório responde na internet.

  • Toda consulta fica registrada, com data, hora e origem do acesso — inclusive as tentativas que falharam.
  • Depois de várias tentativas erradas seguidas, a consulta daquele protocolo é bloqueada por uma hora. O limite é ajustável nas Configurações.
  • Quando o protocolo não existe ou a data não confere, a resposta é sempre a MESMA frase. Isso é proposital: se a mensagem diferenciasse os dois casos, seria possível descobrir quais protocolos existem testando números em sequência — e saber que uma pessoa fez exame num laboratório já é informação sobre a saúde dela.
  • Se os dados estiverem certos mas o laudo ainda não tiver sido liberado, aí sim o paciente recebe um aviso claro de que o resultado está em andamento. Quem chegou até esse ponto já provou que o resultado é dele.

Conferir se um laudo é autêntico

Todo laudo sai com um código de autenticação e um QR code no rodapé. Qualquer pessoa que receba o documento — o médico, o convênio, a empresa que pediu o exame admissional — pode conferir em gamaerp.com.br/conferir-laudo se ele é verdadeiro.

  1. Aponte a câmera para o QR code do laudo, ou abra o endereço e digite o código impresso.
  2. A página responde se o laudo existe, de qual laboratório é, para qual protocolo, quando foi emitido e quem o assinou.
  3. Se aquele laudo tiver sido retificado depois, a página avisa que ele foi SUBSTITUÍDO por uma versão mais recente.

A página de conferência mostra o nome do paciente abreviado e não exibe nenhum resultado. Ela responde a uma pergunta só: este documento é autêntico? Quem tem o código já tem o laudo em mãos, e não há motivo para o conteúdo clínico trafegar de novo por uma página que exige um dado apenas.

Controle de Qualidade Interno

Um aparelho descalibrado não avisa que está descalibrado: ele produz números plausíveis. O paciente recebe um resultado que não parece errado, o médico decide em cima dele e ninguém descobre nada. O Controle de Qualidade é a única coisa entre esse cenário e o seu laboratório — e é o que a vigilância sanitária pede para ver.

O princípio é simples: todo dia, antes de processar amostra de paciente, o laboratório mede um material cujo valor esperado já conhece. Se essa medida sai do esperado, o aparelho está errado — e todo resultado daquela corrida está errado junto.

Preparar o controle

  1. Abra Seu setor → Laboratório, aba Qualidade, e clique em Material de controle. Dê um nome, escolha a bancada e informe o nível.
  2. Cadastre pelo menos dois níveis por analito: um normal e um patológico. Um aparelho pode acertar o normal e errar o alterado — que é justamente onde o erro muda a conduta médica.
  3. Clique em Lote e informe o número do lote, a validade, a média esperada e o desvio padrão. Os dois últimos vêm na bula do material.
  4. Pronto. O lote aparece na lista com os limites já calculados.

A média e o desvio ficam no LOTE, e não no material, porque cada lote tem os seus. Comparar as leituras de um lote novo contra os limites do lote antigo reprovaria tudo sem que houvesse problema algum no aparelho.

A leitura do dia

  1. Processe o material de controle no aparelho, como se fosse uma amostra.
  2. Na aba Qualidade, clique em Registrar leitura na linha do lote e informe o valor medido.
  3. O sistema aplica sozinho as regras de Westgard sobre o histórico daquele lote e responde na hora: aprovado, aviso ou reprovado.
  • 1-2s — um controle passou de dois desvios. É só um AVISO, e não reprova: num processo perfeitamente saudável, cerca de 5 de cada 100 medidas caem naturalmente nessa faixa. Tratar como reprovação pararia o laboratório uma vez a cada vinte corridas boas, e alarme que toca à toa é alarme que o operador aprende a ignorar.
  • 1-3s — um controle passou de três desvios. Erro aleatório grosseiro: bolha, pipetagem, amostra mal homogeneizada.
  • 2-2s — dois controles seguidos além de dois desvios, do mesmo lado. Erro sistemático: calibração ou reagente.
  • R-4s — dois controles seguidos afastados mais de quatro desvios entre si. O método perdeu precisão.
  • 4-1s — quatro seguidos além de um desvio, do mesmo lado. A calibração está escorregando: ainda dentro do normal, mas já enviesada.
  • 10x — dez seguidos do mesmo lado da média, mesmo que perto dela. É a assinatura de um viés que nenhuma regra de amplitude pegaria.

O que acontece quando o controle reprova

Reprovou, os laudos daquela bancada param de sair. A trava é por BANCADA, e não pelo laboratório inteiro: um controle reprovado na bioquímica não pode segurar o laudo da parasitologia — travar tudo por um aparelho faria alguém desligar a proteção no primeiro dia corrido.

  1. Corrija o problema no aparelho: recalibre, troque o reagente, refaça a diluição.
  2. Meça o controle de novo e registre a leitura.
  3. Se o novo controle passar, o bloqueio é encerrado automaticamente. Este é o caminho normal, e não depende de ninguém lembrar de desbloquear.

Liberar assumindo o risco

Existem situações em que o Responsável Técnico avalia e decide liberar mesmo com o controle reprovado. O sistema permite — mas exige que ele escreva por quê, com pelo menos vinte caracteres, e grava o texto com o nome dele e a hora.

Esse registro protege os dois lados. Protege o paciente, porque ninguém libera por descuido: é preciso parar e escrever. E protege o laboratório, porque se a decisão for questionada um dia, existe o registro de quem decidiu, quando e com que fundamento — em vez de ninguém lembrar de nada.

Laboratório de apoio

O exame que a casa não faz é enviado ao laboratório de apoio cadastrado na aba Apoio. O sistema registra quando saiu, quando voltou e quanto custou — é assim que você enxerga a margem real de cada exame terceirizado, em vez de descobrir no fim do mês que estava cobrando abaixo do custo.

Faturamento por convênio

O laboratório trabalha, manda a conta para a operadora e quase sempre recebe menos do que cobrou. A diferença é a glosa, e o que este módulo garante é a capacidade de saber POR QUE recebeu menos.

  1. Abra Seu setor → Laboratório, aba Faturamento, e clique em Montar lote.
  2. Escolha o convênio e a competência, que é o ano e o mês.
  3. O sistema puxa sozinho todos os exames já liberados daquela operadora naquele mês que ainda não estão em nenhum lote.
  4. Quando a operadora devolver a análise, lance a glosa item a item, informando o motivo de cada corte.
  5. Clique em Fechar lote. A partir daí ele vira documento de cobrança e não pode mais ser alterado.
  • Um exame entra em UM lote só. Em dois, o laboratório cobraria duas vezes pelo mesmo trabalho e a operadora glosaria o lote inteiro.
  • A glosa exige motivo escrito. Glosa sem motivo é dinheiro que some sem explicação: no fim do mês ninguém sabe se foi erro da operadora ou falha do laboratório, e não há o que recorrer.
  • Zerar uma glosa não exige motivo — é assim que se desfaz um lançamento errado.
  • Lote vazio não fecha: entregue à operadora, ele voltaria e o laboratório perderia a competência inteira.

Reagentes de bancada

Reagente não entra no estoque de mercadoria porque não é vendido: é consumido. O que importa dele é lote, validade e saldo. Cadastre o reagente na aba Reagentes, informe o estoque mínimo e registre cada entrada com o número do lote e a validade.

O sistema recusa consumir lote VENCIDO, e a recusa é dura de propósito: reagente vencido produz resultado errado sem que nada no laudo pareça estranho — o mesmo perigo do aparelho descalibrado. Descartar um lote vencido continua permitido, porque é exatamente o que se deve fazer com ele. No DIA da validade o reagente ainda serve: a bula diz válido até aquela data, e antecipar um dia mandaria jogar fora material bom.

Os relatórios do laboratório

  • Produção por bancada: quantos exames cada bancada processou e quanto isso representou em dinheiro no período.
  • Prazo real de entrega: quanto tempo o laboratório leva da coleta à liberação, por bancada, com a pontualidade e o pior caso. É o número que o cliente cobra e que nenhuma planilha sustenta.
  • Recoleta e rejeição de amostra: quantas amostras foram recusadas e por quê. Cada linha é um paciente que precisou voltar e ser furado de novo — é o indicador de qualidade da coleta.
  • Faturamento por convênio: quanto cada operadora deve por competência, quanto glosou e qual a taxa de glosa.
  • Glosas por motivo: o que a operadora mais corta, item a item. É aqui que se descobre o que corrigir no cadastro ou o que recorrer junto à operadora.

O que este módulo não faz

Para não haver surpresa depois da contratação, vale dizer com todas as letras o que fica de fora. O sistema não conversa com os aparelhos do laboratório: o resultado é digitado por uma pessoa. Ele também não gera o arquivo XML do padrão TISS da ANS — fecha o lote do convênio e imprime o relatório de conferência. A assinatura do laudo é eletrônica, com conferência por QR code numa página pública, e não assinatura digital com certificado ICP-Brasil. E o Controle de Qualidade do módulo é o interno: ele não substitui o ensaio de proficiência, que é contratado à parte.

Precisa de ajuda com isso na prática?

O GamaERP faz tudo o que está descrito nesta página — e o suporte é direto com quem conhece o sistema, sem fila de atendimento.