Farmácia e drogaria

O módulo Farmácia cuida do que a farmácia tem de obrigação legal e do que ela tem de dinheiro parado: o livro dos medicamentos controlados que a ANVISA exige (SNGPC), o teto de preço da CMED, a receita retida, o controle de lote e validade, os convênios de medicamento (PBM), o Farmácia Popular e a manipulação. Fica no menu lateral, dentro da área do seu ramo — é um módulo opcional; se aparecer com cadeado, peça a ativação ao suporte. As abas seguem a ordem de uso: Medicamentos → Lotes e validade → Receitas → Controlados (SNGPC) → Manipulação → Convênios PBM → Farmácia Popular → Configuração.

O medicamento é um produto do seu cadastro de Produtos — não existe cadastro paralelo. O que o módulo acrescenta é a FICHA FARMACÊUTICA desse produto: registro na ANVISA, princípio ativo, tarja e a lista da Portaria 344 quando for controlado.

1) Configurar o farmacêutico responsável (faça isto primeiro)

  1. Abra o módulo Farmácia e vá à aba Configuração.
  2. Preencha o nome do farmacêutico responsável técnico, o número do CRF e a UF do conselho.
  3. Informe o número da autorização de funcionamento (AFE), se você o tiver.
  4. Ajuste, se quiser, a janela de alerta de validade. O padrão são 90 dias, que é o prazo em que a maioria dos laboratórios ainda aceita a devolução do medicamento.
  5. Informe a UF do teto de preço — é ela que define qual coluna da tabela da CMED o sistema vai ler.
  6. Clique em Salvar configuração.

Sem o nome e o CRF do responsável técnico o sistema NÃO gera o arquivo do SNGPC. A ANVISA exige saber quem assina a escrituração.

2) Dar ficha farmacêutica aos medicamentos

  1. Vá à aba Medicamentos e clique em Novo medicamento.
  2. Escolha o produto do seu catálogo. Se ele ainda não existir, cadastre-o antes em Produtos.
  3. Informe o registro na ANVISA. Ele é obrigatório para escriturar o medicamento no livro dos controlados.
  4. Preencha o princípio ativo, a concentração (ex.: 500 mg) e a forma farmacêutica (ex.: comprimido). Esses três campos juntos são o que permite ao sistema achar o genérico equivalente.
  5. Escolha o tipo (referência, genérico, similar, manipulado) e a tarja.
  6. Se o medicamento for controlado, escolha a lista da Portaria 344 (A1, B1, C1…). Ao escolher, o sistema mostra logo abaixo qual receituário aquela lista exige.
  7. Ligue as chaves Exige receita e Retém a receita conforme o caso.
  8. Clique em Salvar.

3) Importar a tabela de preços da CMED

  1. Baixe a planilha do mês no site da CMED (ela é republicada todo mês).
  2. Na aba Medicamentos, clique em Importar tabela CMED.
  3. Escolha o arquivo XLSX. O sistema lê a planilha e mostra quantas linhas encontrou.
  4. Informe a competência (ex.: 2026-08) e, se quiser, a UF do teto. Deixando a UF em branco, o sistema usa a do seu emitente.
  5. Clique em Importar. O sistema casa cada linha pelo registro da ANVISA e atualiza o preço de fábrica, o teto (PMC) e a lista de crédito tributário.
  6. Ao terminar, ele informa quantos medicamentos foram atualizados e quantas linhas da planilha não bateram com nenhum cadastro seu.

A importação não cria medicamentos novos: ela só atualiza os que já têm ficha cadastrada com o registro da ANVISA preenchido. Se muitos itens não baterem, confira se o registro foi digitado nas fichas.

4) Registrar a entrada dos lotes

  1. Vá à aba Lotes e validade e clique em Entrada de lote.
  2. Escolha o medicamento, digite o número do lote e a quantidade recebida.
  3. Informe a validade e, se quiser, a data de fabricação e o número da nota de entrada.
  4. Clique em Registrar. Se aquele lote já existir para o mesmo medicamento, a quantidade é somada ao saldo dele em vez de dar erro de duplicidade.

5) Dispensar um medicamento com receita

  1. Vá à aba Receitas e clique em Registrar receita.
  2. Escolha o tipo de receituário. Ao selecionar um medicamento controlado na lista de itens, o sistema já sugere o receituário exigido por aquela lista.
  3. Se for notificação A (amarela) ou B (azul), informe o número da notificação.
  4. Preencha a data da receita e a data do atendimento. O sistema confere o prazo: notificação e receita de controle especial valem 30 dias; receita de antimicrobiano, 10 dias.
  5. Informe o prescritor: nome, conselho (CRM, CRO ou CRMV) e número.
  6. Informe quem está retirando o medicamento — nome e documento — e o paciente, quando forem pessoas diferentes.
  7. Na lista de medicamentos, adicione cada item com a quantidade prescrita, a quantidade que está sendo dispensada e o lote.
  8. Clique em Registrar. Se algo estiver errado (receituário incompatível, receita vencida, quantidade maior que a prescrita), o sistema mostra todos os problemas de uma vez, em linguagem simples.

Ao gravar a receita, todo item controlado já entra sozinho no livro do SNGPC como saída, e a quantidade sai do lote informado. Você não precisa lançar nada duas vezes.

6) Lançar as demais movimentações de controlados

  1. Vá à aba Controlados (SNGPC) e clique em Lançar movimento.
  2. Escolha o medicamento controlado e o tipo do movimento: entrada de compra, perda, devolução, transferência ou expedição. As vendas não entram aqui — elas vêm sozinhas das receitas.
  3. Informe a quantidade, a data e o lote.
  4. No caso de perda, o motivo é obrigatório (quebra, vencimento, furto...).
  5. Clique em Lançar. O movimento passa a contar no saldo do livro.

7) Conferir o estoque com o inventário

  1. Na aba Controlados (SNGPC), clique em Inventário.
  2. Escolha o medicamento e, se quiser, o lote específico.
  3. Digite a contagem física — quantas unidades você contou na prateleira.
  4. Clique em Conferir. O sistema mostra lado a lado o saldo do livro e a sua contagem, com a diferença.
  5. Se houver diferença, escreva a justificativa e clique em Fechar inventário. O saldo do livro passa a valer pela contagem, e o ajuste fica registrado.

8) Gerar o arquivo do SNGPC para enviar à ANVISA

  1. Na aba Controlados (SNGPC), clique em Gerar arquivo do período.
  2. Informe a data inicial e a final do período que você vai escriturar.
  3. Clique em Gerar. Entram apenas os movimentos ainda não escriturados — o que já foi enviado antes não é enviado de novo.
  4. Na lista de arquivos gerados, clique no ícone de download para baixar o XML.
  5. Entre no portal do SNGPC da ANVISA e envie o arquivo baixado.
  6. De volta ao sistema, você pode marcar o arquivo como enviado e guardar o protocolo que o portal devolveu.

Depois de gerado o arquivo, os movimentos dele ficam travados contra alteração e exclusão — é o que garante que o livro continue batendo com o que foi enviado. Para corrigir algo depois, lance um movimento de ajuste (perda ou inventário). Confira o PRIMEIRO arquivo com o seu farmacêutico responsável antes de transmitir.

9) Oferecer o genérico equivalente

  1. Na aba Medicamentos, localize o medicamento que o cliente pediu.
  2. Clique no ícone de frasco, na coluna da direita.
  3. O sistema lista os medicamentos com o mesmo princípio ativo, mesma concentração e mesma forma, do mais barato para o mais caro, mostrando quanto o cliente economiza em cada um e o estoque disponível.

10) Registrar uma venda com convênio PBM

  1. Vá à aba Convênios PBM. Se ainda não houver operadoras, clique em Nova operadora e cadastre (nome, CNPJ, prazo de repasse e taxa administrativa).
  2. Clique em Registrar operação.
  3. Escolha a operadora, digite o número da autorização, o valor total da venda e quanto o convênio autorizou pagar.
  4. O sistema mostra automaticamente quanto o cliente paga no balcão.
  5. Clique em Registrar. A parte do convênio vira um título a receber no Financeiro, com vencimento calculado pelo prazo da operadora.

11) Controlar o Farmácia Popular

  1. Vá à aba Farmácia Popular e confirme a competência (ex.: 2026-08).
  2. Clique em Lançar venda e informe o medicamento, a quantidade, o valor de referência, quanto o Ministério subsidia e quanto o cliente pagou.
  3. Clique em Registrar. O painel da competência mostra os totais e destaca os lançamentos divergentes — aqueles em que o subsídio mais o copagamento não fecham com o valor de referência.
  4. Confira os divergentes antes de fazer a prestação de contas no sistema do Ministério da Saúde.

12) Manipular uma fórmula

  1. Vá à aba Manipulação e clique em Nova fórmula.
  2. Dê o nome, a forma farmacêutica e a quantidade base — a quantidade para a qual a fórmula foi escrita (ex.: 100 cápsulas).
  3. Informe a validade em dias e o preço de venda.
  4. Adicione os componentes: escolha a matéria-prima, a quantidade, a unidade e o fator de correção do insumo.
  5. Clique em Salvar.
  6. Para produzir, clique em Nova manipulação, escolha a fórmula, a quantidade pedida e o cliente. O sistema escalona os componentes, aplica o fator de correção, calcula o custo e já gera o número do lote e a validade.
  7. Use o botão da direita para avançar a ordem: Iniciar (a matéria-prima sai do estoque neste momento), Concluir e Entregar.

O fator de correção compensa a pureza do insumo. Se a matéria-prima tem 80% de teor, o fator é 1,25: para render 5 g de ativo é preciso pesar 6,25 g. O sistema faz essa conta para você — errar nela é errar a dose.

13) Relatórios da farmácia

  • Livro de controlados — todo movimento escriturável do período, mostrando o que já foi enviado e o que falta.
  • Medicamentos a vencer — lotes vencidos e perto do vencimento, com o valor em risco.
  • Preço acima do teto (PMC) — o que está sendo vendido acima do limite legal da CMED.
  • Receitas retidas — as receitas do período com prescritor, comprador e paciente.
  • PBM a receber — quanto cada convênio deve, já com a taxa descontada.
  • Giro por classe terapêutica — faturamento, custo e margem por classe, com a fatia de genéricos.

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