Transportadora — fretes, frota e condutores
O módulo Transportadora acompanha a carga do orçamento até a entrega. Ele atende quem faz entrega urbana, quem junta várias cargas no mesmo veículo, quem fecha uma viagem por carga e quem trabalha com mudanças e fretes avulsos — a diferença entre eles é escolhida no campo Tipo, ao registrar o frete.
Antes de tudo: cadastre a frota
- Abra Seu setor → Transportadora e vá à aba Frota.
- Clique em Novo veículo e informe a placa, a marca e o modelo, o ano e o RENAVAM.
- Preencha o tipo de rodado (truck, toco, cavalo mecânico, VAN, utilitário) e o tipo de carroceria (aberta, fechada, graneleira, porta-container ou sider). Estes dois campos são exigidos pelo manifesto eletrônico da viagem — preenchê-los agora evita a nota travar depois, com o caminhão carregado.
- Informe a tara e a capacidade em quilos e em metros cúbicos. É com esses números que o sistema avisa quando a carga não cabe no veículo.
- Em Propriedade, escolha Frota própria ou Agregado. Escolhendo Agregado, indique o fornecedor dono do veículo: é para ele que sairá o pagamento do frete.
- Preencha a data do licenciamento. Com ela preenchida, o sistema avisa 30 dias antes do vencimento.
Cadastre os motoristas
O motorista não tem cadastro separado: ele é um funcionário com a função Motorista. Assim a mesma pessoa não fica cadastrada em dois lugares com dados diferentes.
- Abra Gerenciamento → Funcionários e cadastre a pessoa, escolhendo Motorista no campo Função.
- Se ele for usar o celular para dar baixa nas entregas, vincule o funcionário a um usuário do sistema nessa mesma tela.
- Volte a Seu setor → Transportadora, aba Condutores. O motorista já aparece na lista.
- Clique no lápis e informe o número da CNH, a categoria e a validade.
- Com a validade preenchida, o sistema avisa 30 dias antes de a habilitação vencer, e mostra em vermelho, no topo do módulo, quem está impedido de rodar hoje.
Monte a tabela de preço do frete
A tabela é o que transforma peso e destino em preço. Sem ela, todo frete é orçado no papel e cada funcionário cobra de um jeito.
- Vá à aba Tabelas de frete e clique em Nova.
- Dê um nome que identifique a região ou o cliente, por exemplo "Tabela Grande Rio".
- Escolha como esta tabela cobra: por faixa de peso, por quilômetro rodado ou por volume transportado.
- Informe o valor mínimo — nenhum frete desta tabela sairá por menos que ele.
- Informe o percentual de GRIS (gerenciamento de risco) e o de ad valorem. Os dois incidem sobre o valor da mercadoria transportada, não sobre o frete.
- Salve e, com a tabela selecionada à esquerda, cadastre as faixas: a UF, a cidade (deixe em branco para valer em todo o estado), o início e o fim da faixa, o valor fixo e o valor por quilo, quilômetro ou volume.
- Deixe o campo Até em branco na última faixa: ela passa a valer daí para cima, sem teto.
O fim de cada faixa não entra nela. Numa tabela com as faixas 0 a 30 e 30 a 100, uma carga de exatamente 30 quilos é cobrada pela segunda faixa. É assim de propósito: se as duas valessem, o preço passaria a depender da ordem em que você cadastrou as linhas.
Registrar e orçar um frete
- Na aba Fretes, clique em Novo frete.
- Escolha o tipo, o tomador (quem paga) e a modalidade: CIF quando o remetente paga, FOB quando o destinatário paga.
- Preencha a cidade e a UF de origem e de destino. As duas são obrigatórias — sem elas não há como precificar nem emitir o documento fiscal do transporte.
- Informe a carga: peso bruto, quantidade de volumes, valor da mercadoria e o produto predominante.
- Escolha a tabela de preço e clique em Orçar pela tabela. O sistema devolve o valor separado em frete-peso, GRIS, ad valorem e pedágio, e avisa quando o valor mínimo da tabela foi aplicado.
- Se a tabela não cobrir aquele destino ou aquele peso, o sistema recusa o orçamento e diz qual faixa falta cadastrar, em vez de devolver zero.
- Confira os valores, ajuste o que precisar e clique em Registrar frete.
Acompanhar a carga
- Na lista de fretes, cada linha mostra os próximos passos possíveis daquele frete, e só eles.
- O caminho normal é Orçamento, Aceito, Coletado, Em trânsito, Entregue e Faturado. No frete urbano, que sai e entrega no mesmo dia, é possível ir de Coletado direto para Entregue.
- Para cancelar, clique no botão de cancelamento e informe o motivo. O motivo fica registrado e aparece no acompanhamento.
- Um frete já entregue não pode ser cancelado: a entrega aconteceu no mundo real. Nesse caso, registre uma ocorrência e, se for o caso, faça o estorno pelo Financeiro.
- Cada mudança de situação entra na linha do tempo da carga, com data, local e o nome de quem registrou.
Cada frete recebe um código de rastreio próprio, como GM7K3PQ9XM. É por ele que o cliente acompanha a entrega, e o código é sorteado justamente para que ninguém consiga ver os fretes dos outros trocando um número.
Montar a viagem (a carga do dia)
A viagem junta o veículo, o motorista e as paradas de uma saída. Um veículo leva vários fretes na mesma viagem, e é a viagem que o motorista vê no celular.
- Abra Seu setor → Transportadora, aba Viagens, e clique em Nova.
- Escolha o veículo e o condutor. Informe a UF de carregamento e a de descarregamento, e o odômetro na saída, se quiser controlar o custo por quilômetro.
- Com a viagem selecionada à direita, use o campo Incluir frete na carga. Só aparecem os fretes aceitos, coletados ou em trânsito — orçamento ainda não foi fechado e frete entregue já saiu.
- Ao incluir o frete, a parada nasce com o endereço, a cidade e o nome do destinatário já preenchidos a partir do frete. Você não redigita nada.
- Quando a carga estiver montada, clique em Colocar em rota. O sistema exige o veículo e o condutor preenchidos: sem eles, ninguém saberia depois quem levou a mercadoria.
- No fim do dia, clique em Encerrar viagem.
O motorista dá baixa pelo celular
O motorista não entra na tela da transportadora. Ele abre Operações → Minhas entregas, no celular, e vê apenas as viagens em que ele é o condutor.
- O motorista abre o sistema pelo celular e vai em Operações → Minhas entregas.
- A rota aparece numerada. As setas ao lado do número sobem e descem a parada: quem está na rua conhece a sequência das ruas melhor que o escritório.
- Chegando ao cliente, ele toca em Entreguei, informa o nome e o CPF de quem recebeu e, se quiser, colhe a assinatura com o dedo na tela.
- Se não conseguiu entregar, toca em Não consegui e escolhe o motivo: cliente ausente, cliente recusou, endereço não localizado, mercadoria avariada ou outro. A parada continua na rota para nova tentativa.
- Cada baixa aparece na hora para o escritório e entra no acompanhamento que o cliente vê.
Para o motorista enxergar a rota, o funcionário precisa ter a função Motorista e estar vinculado a um usuário do sistema, em Gerenciamento → Funcionários. Sem o vínculo, a tela explica exatamente isso a ele, em vez de aparecer vazia.
O cliente acompanha a entrega sozinho
- Copie o código de rastreio do frete, na aba Fretes.
- Envie ao cliente o endereço gamaerp.com.br/rastreio/ seguido do código.
- Ele abre no celular, sem login e sem instalar nada, e vê a situação, a cidade, a previsão de entrega e a linha do tempo da carga.
- A página mostra apenas situação, cidade e datas. Valor do frete, valor da mercadoria, documentos e o nome de quem recebeu nunca aparecem — o link costuma ser encaminhado, e o que é do seu cliente fica com ele.
Mandar o link de acompanhamento junto com a confirmação da coleta reduz muito o telefone tocando para perguntar "onde está minha mercadoria?". É a mesma informação, sem ocupar ninguém do escritório.
Emitir o CT-e (a nota fiscal do frete)
O CT-e é o documento com que a transportadora cobra o serviço. O sistema monta e confere o documento, e o GamaPDV instalado na loja o transmite à SEFAZ. Enquanto o PDV não responde, o CT-e aparece como "aguardando o PDV": ele não está perdido, está na fila.
- Abra Seu setor → Transportadora, aba CT-e e MDF-e.
- No campo Emitir CT-e do frete, escolha o frete. Só aparecem os fretes já aceitos — orçamento ainda não foi fechado.
- Clique em Emitir. O sistema preenche sozinho os municípios, os valores, os participantes e as notas transportadas a partir do que já está cadastrado no frete.
- Se faltar alguma informação, o sistema recusa dizendo exatamente qual campo falta e onde preenchê-lo, em vez de deixar a nota ser rejeitada pela SEFAZ depois.
- Quando o PDV transmitir, a situação muda para autorizado e o botão XML fica disponível.
Se precisar cobrar uma diferença de um frete que já tem CT-e autorizado, o caminho é o CT-e complementar, não emitir outro CT-e normal. Para cancelar, a SEFAZ exige justificativa com pelo menos 15 caracteres — o sistema confere isso antes de enviar.
Emitir e encerrar o MDF-e (o manifesto da viagem)
O manifesto declara tudo o que está dentro do veículo. Ele é obrigatório quando a carga cruza o estado e é exigido pela fiscalização na estrada. Ele sai da viagem, não do frete.
- Na mesma aba, no campo Emitir manifesto da viagem, escolha a viagem.
- Clique em Emitir. O sistema agrupa as notas por município de descarregamento e monta o percurso apenas com os estados de passagem — duas exigências da SEFAZ que você não precisa conhecer.
- Se o veículo estiver sem tipo de rodado ou sem carroceria, o sistema avisa qual veículo e manda preencher na aba Frota.
- Terminada a viagem, volte à aba e clique em Encerrar no manifesto autorizado, informando o município e a UF onde a carga foi descarregada.
Encerrar é diferente de cancelar. Cancelamento é para quando a viagem não aconteceu; encerramento registra que ela terminou. Manifesto que fica aberto depois da viagem impede emitir o próximo e vira pendência na SEFAZ.
Abastecimento e o custo por quilômetro
Esta é a parte que responde se o frete deu lucro. Lançando o abastecimento com o odômetro, o sistema calcula sozinho quantos quilômetros por litro cada veículo faz e quanto custa rodar um quilômetro. Sem esse número, o preço da tabela de frete é chute.
- Abra Seu setor → Transportadora, aba Custos e agregados, e escolha Abastecimentos.
- Clique em Lançar abastecimento e escolha o veículo.
- Preencha a data e, principalmente, o odômetro no momento do abastecimento. É esse campo que permite medir o consumo — sem ele o lançamento é recusado.
- Informe os litros e o valor por litro. O valor total sai sozinho; se preferir, digite o total e deixe o valor por litro em branco.
- Deixe a chave Completou o tanque ligada quando encheu o tanque. Desligue quando abasteceu só em parte.
- Salve. A partir do segundo tanque cheio do mesmo veículo, o painel no alto da aba já mostra a média em km/l e o custo por quilômetro.
O consumo só é medido de tanque cheio a tanque cheio, porque não há como saber quanto sobrou num tanque completado pela metade. Os abastecimentos parciais não são descartados: eles entram na conta do próximo tanque cheio. É por isso que a chave Completou o tanque importa.
Manutenção da frota e aviso de revisão
A revisão do veículo vence de dois jeitos: pelo calendário e pela quilometragem. Quem roda muito estoura os quilômetros antes da data; quem roda pouco estoura a data antes dos quilômetros. O sistema controla os dois e avisa pelo que chegar primeiro.
- Na aba Custos e agregados, escolha Manutenções e clique em Lançar manutenção.
- Escolha o veículo e diga se a manutenção foi preventiva (programada) ou corretiva (quebrou).
- Descreva o serviço, informe a data, o odômetro na hora e o valor pago.
- Em Próxima revisão, preencha a data, a quilometragem, ou as duas. O aviso aparece trinta dias antes da data ou mil quilômetros antes do odômetro.
- Se quiser que o valor vire uma conta a pagar no Financeiro, ligue a chave Gerar conta a pagar e informe o vencimento. Deixe desligada quando a manutenção já foi paga.
O aviso de revisão aparece no alto da aba Custos e agregados, em vermelho quando já venceu e em amarelo quando está próxima. O valor lançado também entra no custo por quilômetro do período, junto do combustível.
Contratar agregado, autônomo ou outra transportadora
Quando o frete é entregue a um motorista autônomo ou a outra transportadora, registre a contratação aqui. O sistema controla o combinado, o adiantamento e o saldo, e transforma o saldo em conta a pagar no Financeiro quando você der baixa.
- Na aba Custos e agregados, escolha Agregados contratados e clique em Contratar agregado.
- Escolha o fornecedor contratado. É para ele que sairá o pagamento, por isso o cadastro é obrigatório.
- Se a contratação for de uma viagem já montada, escolha a viagem. Em frete avulso, deixe em branco.
- Informe o nome e o CPF do motorista e a placa do veículo dele.
- Preencha o valor combinado, o adiantamento pago na saída, os descontos acordados e o vale-pedágio fornecido.
- Se você obteve o número do CIOT, informe-o. O sistema confere se tem doze dígitos.
- Quando a viagem terminar, clique em Dar baixa. O sistema mostra a conta aberta e gera o título a pagar com o saldo.
Duas regras que o sistema aplica sozinho. Primeira: o vale-pedágio nunca é descontado do frete — a Lei 10.209/2001 proíbe abatê-lo do valor devido ao transportador, então ele aparece separado, como desembolso à parte. Segunda: dar baixa duas vezes não cria dois títulos; o sistema avisa que aquela contratação já gerou a conta.
O CIOT é apenas registrado no GamaERP, não emitido por ele. Emitir CIOT exige contrato com integradora homologada pela ANTT. Obtenha o número na sua integradora e guarde-o aqui: o sistema o imprime nos documentos e o mantém junto da contratação.
Minhas entregas — a tela do motorista
É a tela de quem está na rua, feita para o celular: mostra a rota do dia com as paradas na ordem, e cada parada se resolve em dois toques. O motorista pode subir e descer uma parada na lista quando o trânsito mandar mudar a ordem.
- O entregador abre Operações → Minhas entregas. A tela já vem com a rota dele, sem precisar procurar.
- Ao entregar, toca em Entreguei e informa quem recebeu, o CPF de quem recebeu e, se quiser, colhe a assinatura na própria tela.
- Não conseguiu entregar? Toca em Não consegui entregar e escolhe o motivo: cliente ausente, cliente recusou, endereço não localizado, mercadoria avariada ou outro motivo, com uma observação livre.
- A parada muda de cor conforme o resultado — verde para entregue, âmbar para ocorrência —, então dá para ver de relance o que falta.
Registrar quem recebeu não é burocracia: é a prova de entrega. Sem o nome de quem recebeu, uma reclamação de "nunca chegou" vira a palavra do cliente contra a do entregador, e quem paga é a loja.
Montar a viagem é trabalho do escritório; dar baixa na entrega é de quem está na rua. Por isso o motorista tem uma tela própria, em Operações → Minhas entregas, feita para ser usada no celular, com uma mão, dentro do caminhão.
- O motorista abre Operações → Minhas entregas e vê apenas as viagens dele, na ordem da rota.
- Ao chegar no cliente, ele abre a parada e confirma a entrega.
- Se não conseguiu entregar, registra a ocorrência com o motivo — ausente, endereço não encontrado, recusa.
- A baixa aparece na hora para o escritório, sem telefonema.
